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Milho: preços firmes e oferta restrita

Dany Balieiro
23/02/2026 às 16:10
Milho: preços firmes e oferta restrita

O mercado brasileiro do milho atravessa um momento de braço de ferro estratégico entre a oferta e a demanda, resultando em uma sustentação firme nos preços, mesmo diante de um volume de negociações reduzido. Este cenário, influenciado tanto pelo calendário cultural — como o recente recesso de carnaval — quanto pelo calendário agrícola, revela as nuances de uma logística complexa e de uma postura cautelosa por parte dos produtores.

O comportamento dos vendedores

O principal pilar de sustentação das cotações atuais é a postura dos vendedores. Grande parte dos agricultores optou por se retirar momentaneamente do mercado “spot” (negociação imediata). Essa decisão não é apenas comercial, mas operacional: neste período do ano, as atenções estão quase totalmente voltadas para as atividades de campo. Com as máquinas na terra para a colheita da safra de verão e o plantio da segunda safra, a comercialização do grão estocado acaba ficando em segundo plano.

Além disso, os poucos agentes que se mantêm ativos na ponta da venda não demonstram urgência em liquidar seus estoques. Eles estão cientes do valor do produto e preferem aguardar por patamares de preços ainda mais atraentes, criando uma escassez de oferta que empurra as cotações para cima.

A barreira da logística

Na ponta compradora, o cenário é de cautela e dificuldade. Muitos consumidores de milho (como as indústrias de ração e proteína animal) têm encontrado dificuldades para fechar novos negócios. O entrave é duplo:

  • Preços elevados: As pedidas dos vendedores frequentemente superam o que os compradores consideram viável para suas margens;
  • Logística saturada: Este é o fator crítico. Fevereiro é o mês em que a soja domina o fluxo logístico. Como a colheita da oleaginosa está em ritmo acelerado, o transporte ferroviário e rodoviário, bem como a estrutura de armazenagem, priorizam a soja. Isso encarece o frete para o milho e desestimula novas movimentações de grande volume no curto prazo.

Enquanto o mercado financeiro do grão “trava”, o trabalho no campo não para. De modo geral, o desenvolvimento das lavouras é considerado satisfatório:

  • Região Sul: É o ponto de maior atenção. Algumas localidades enfrentam períodos de estiagem que trazem preocupações pontuais sobre a produtividade da safra de verão;
  • Demais regiões: O clima tem sido um aliado. A colheita da primeira safra e o plantio da segunda safra (safrinha) avançam com vigor, favorecidos por janelas climáticas adequadas que permitem um bom estabelecimento das plantas.

Exportações e o ritmo dos portos

Curiosamente, embora o mercado interno pareça “lento”, os portos mostram uma dinâmica diferente. A liquidez imediata pode até estar baixa, mas o volume de embarques em fevereiro supera os registros do mesmo período do ano anterior. Esse fenômeno não reflete vendas atuais, mas sim a concretização de contratos antecipados.

O milho que sai hoje do país foi negociado meses atrás, garantindo um fluxo constante de exportação que ajuda a enxugar o excesso de oferta interna e mantém os preços domésticos em patamares elevados.

Em resumo, o mercado de milho vive um equilíbrio de forças onde a retenção por parte do produtor e o gargalo logístico da soja ditam o ritmo, garantindo que o cereal permaneça valorizado mesmo com o feriado e a baixa movimentação comercial. Clique aqui e acompanhe o agro.

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