O cenário atual do mercado de soja no Brasil reflete um equilíbrio delicado entre o apetite voraz do mercado internacional e as oscilações imprevisíveis do clima subtropical. Na última semana, observou-se uma valorização consistente nos preços internos da oleaginosa, impulsionada por uma combinação de fatores macroeconômicos e desafios técnicos no campo que mantêm produtores e compradores em estado de alerta.
O motor da demanda externa
O principal catalisador para a alta dos preços tem sido a demanda externa aquecida. A soja brasileira tornou-se o foco das atenções globais devido à maior atratividade dos prêmios de exportação. Esses prêmios funcionam como um ajuste sobre as cotações da Bolsa de Chicago, refletindo a competitividade do produto brasileiro no porto.
Com o câmbio e a logística favorecendo o escoamento, a China e outros grandes importadores voltaram seus olhos para as safras nacionais, o que encurtou a oferta disponível no mercado interno e forçou os preços para cima.
A dualidade climática no Sul
Enquanto o mercado externo puxa os preços pelo lado da demanda, a incerteza climática atua pelo lado da oferta. O Sul do Brasil, vive um momento de extrema ambiguidade:
- Estiagem e quebra de safra: Em diversas regiões, a irregularidade das chuvas resultou em períodos de seca severa. O impacto direto é a redução da produtividade por hectare, com grãos que não atingiram o desenvolvimento pleno, forçando produtores a revisarem suas expectativas de lucro para baixo;
- O alento das chuvas recentes: Por outro lado, frentes frias e precipitações localizadas trouxeram um alívio temporário para lavouras no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que ainda estão em fases fenológicas de desenvolvimento. Esse volume hídrico é crucial para garantir que as áreas plantadas mais tardiamente não sofram o mesmo destino das áreas precoces.
Ritmo de colheita e retenção de oferta
A postura do produtor brasileiro tem sido de extrema cautela. Diante da dúvida sobre o volume final que sairá do campo, muitos agricultores optaram por “segurar” o grão, evitando vendas antecipadas em grandes volumes. Essa retenção estratégica limita a liquidez no mercado disponível, sustentando as cotações elevadas.




