O cenário atual do mercado do milho apresenta um paradoxo interessante entre a realidade imediata do campo e as projeções estatísticas de longo prazo
Recentemente, a valorização do grão, que inicialmente estava restrita a polos específicos do estado de São Paulo, expandiu seu domínio e passou a ditar o ritmo em diversas outras praças de comercialização acompanhadas pelo setor. Esse movimento de alta não é fruto de uma escassez estrutural profunda, mas sim de uma dinâmica estratégica e sazonal dos produtores.
A Retração da Oferta no Curto Prazo
O principal motor para a sustentação dos preços neste início de mês é a baixa disponibilidade de lotes no mercado spot. Este fenômeno ocorre porque os produtores rurais estão, neste momento, com o foco voltado quase inteiramente para os trabalhos de campo. Seja pelo manejo das lavouras atuais ou pelos preparativos para a próxima etapa produtiva, o fato é que o vendedor saiu da mesa de negociação para priorizar a lida operacional.
Essa postura resulta em uma oferta restrita, criando um “vácuo” no mercado físico. Com menos milho circulando de forma imediata, os preços encontram terreno fértil para subir, uma vez que a urgência de alguns compradores acaba validando os pedidos mais elevados dos vendedores remanescentes.
O Dilema dos Compradores
Do outro lado da balança, o setor consumidor — que inclui desde indústrias de ração até grandes confinamentos — enfrenta um cenário desafiador. Os agentes de demanda relatam uma dificuldade crescente em fechar novos negócios. O impasse é claro:
- Escassez de lotes: Simplesmente não há volume suficiente disponível para pronta entrega em muitas regiões;
- Resistência de preço: Os compradores estão cautelosos e evitam ceder aos patamares de preço mais altos exigidos pelos vendedores, temendo que o repasse desses custos para o produto final (como a proteína animal) seja inviável.
Essa queda de braço resulta em uma liquidez travada, onde o mercado se move apenas por necessidade extrema de recomposição de estoques.




