Empresas gigantes do agro se unem para incentivar produtores no compromisso com a descarbonização e agricultura regenerativa, pagando a mais pela produção sustentável. É a preocupação com a mudança climática impulsionando um novo ambiente de negócios
Agricultura regenerativa, um termo que ganhou destaque nos debates sobre o futuro sustentável da produção de alimentos, tem sido o centro das discussões recentes, especialmente durante o evento Orígeo 360, realizado na última terça-feira(05) em São Paulo. Julio Garros, Co-presidente Global de Agronegócios da Bunge, compartilhou insights valiosos sobre esse tópico crucial. Mas, afinal, quem paga a conta da descarbonização na agricultura? Vamos descobrir juntos!
Bunge e a visão regenerativa
Julio Garros, durante a sua apresentação no evento Orígeo 360, compartilhou a visão da Bunge, uma das empresas líderes no setor agroalimentar, sobre a agricultura regenerativa. Ele enfatizou a ambição da Bunge de se tornar a maior empresa de agricultura do mundo com foco na redução de carbono. “Estamos dispostos a pagar mais pelo grão produzido de maneira sustentável. Não estamos apenas comprometidos com a qualidade dos produtos, mas também com a integridade ambiental e social de toda a cadeia de produção.“, diz o co-presidente da Bunge.

A ideia é construir uma empresa que tenha a capacidade de impactar positivamente a agricultura, tornando-a mais amigável ao meio ambiente e eficiente na redução de carbono. Garros afirmou que a Bunge visa ser uma “companhia com capilaridade absoluta“, e isso pode ser percebido em sua recente transação, onde a empresa negocia a aquisição da Viterra, maior empresa de manuseio e comercialização de grãos de duas das regiões mais férteis do mundo: oeste do Canadá e sul da Austrália.
A Bunge já é uma líder em diversas áreas do mercado agrícola, com uma presença sólida em países como Argentina, Brasil, Estados Unidos e Canadá. Seus investimentos abrangem várias culturas, desde soja e milho até trigo e açúcar. Com a aquisição da Viterra, uma das maiores traders de cereais, a empresa ampliará ainda mais sua influência global e oferta de produtos.
Honrar os contratos é o segredo do sucesso
Garros também destacou um aspecto fundamental para a Bunge: honrar os contratos. Ele enfatizou que a empresa está comprometida em cumprir os acordos feitos com os produtores. Com isso, Julio acredita que honrar esses contratos é essencial para construir um futuro sustentável.
“Todos os dias, a pergunta que os produtores fazem não é se estamos honrando o contrato, mas quando vamos pagar. Se um produtor planta uma canola, uma segunda safra ou uma mamona, daremos um contrato com um preço definido e cumpriremos o compromisso, não importa o que aconteça. Honramos nossos contratos.“, afirma.
Ao assegurar que os contratos sejam cumpridos, a Bunge pretende incentivar os produtores a adotar práticas agrícolas mais sustentáveis, como o cultivo de canola de inverno nos Estados Unidos, que é processado na Europa mesmo a empresa não possuindo uma planta adaptada na região produtora. “Alguns produtores começaram a plantar a canola de inverno nos Estados Unidos para fornecer essa canola, e nós a compraremos. Enviaremos essa canola para a Europa e a processaremos lá. Estaremos atuando aqui e processando a canola cultivada nos Estados Unidos na Europa. Isso acontece porque honramos nossos compromissos, e é assim que se constrói um novo futuro. Você tem que começar honrando seus compromissos.“, completa.

Como mostrado pelo executivo, alguns mercados já estão remunerando o produtor que mostra resultados com relação à práticas mais sustentáveis, como por exemplo o Programa de Agricultura Regenerativa 2023, realizado pela Bunge em parceria com a Nutrien nos Estados Unidos.





