O setor cafeeiro brasileiro atravessa um período de ajustes significativos e números que acendem o alerta para o mercado global
De acordo com os levantamentos mais recentes consolidados pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), os embarques parciais da safra 2025/26 apresentam o desempenho mais tímido dos últimos três ciclos. Esse movimento de retração não é um evento isolado, mas o resultado direto de uma conjuntura que envolve desde questões climáticas passadas até uma estratégia comercial mais defensiva por parte dos cafeicultores nacionais.
Dados comparativos e desempenho quantiativo
Entre os meses de julho de 2025 e março de 2026, o Brasil — maior produtor e exportador mundial da commodity — enviou ao exterior um total de 29,09 milhões de sacas de 60 kg. Quando comparamos esse volume com o intervalo homólogo da temporada anterior (2024/25), na qual o país exportou robustas 36,91 milhões de sacas, a queda é nítida e profunda: um recuo de 21,2%.
Este volume escoado na parcial da safra atual representa o menor patamar registrado para o período desde a temporada 2022/23. Embora o mês de março de 2026 tenha apresentado um leve fôlego, com 3,04 milhões de sacas embarcadas — um incremento de 15,4% em relação às 2,63 milhões de sacas de fevereiro —, a recuperação mensal é insuficiente para reverter a tendência de baixa no acumulado do ano safra.
Queda nos embarques
O ambiente restritivo que domina o mercado brasileiro de exportação de café fundamenta-se em dois pilares principais:
- Produção reduzida: A safra 2025/26 foi impactada por adversidades que limitaram o potencial produtivo das lavouras, resultando em uma oferta menor de grãos disponíveis para o mercado externo;
- Estoques exíguos: O país lida com estoques nacionais historicamente curtos. Sem uma reserva estratégica robusta, a capacidade de manutenção de fluxos constantes de exportação em momentos de baixa produção fica seriamente comprometida.
Aliado a esses fatores, observa-se uma mudança no comportamento do produtor. Atualmente, os cafeicultores dispõem de volumes remanescentes muito baixos da safra vigente. Estando capitalizados pelos altos preços médios obtidos ao longo da temporada, esses produtores não demonstram urgência em liquidar o que resta nos armazéns, aguardando janelas de oportunidade ainda mais vantajosas ou a definição da próxima safra.
A tendência para os próximos meses é de continuidade desse quadro de exportações contidas. O mercado aguarda agora a entrada da safra 2026/27, cuja colheita deve começar a ganhar corpo e volume de forma mais consistente apenas a partir de meados de maio. Até que esse novo fluxo de café recém-colhido chegue aos portos, o ritmo dos embarques brasileiros deve permanecer em patamares discretos, refletindo a escassez de oferta interna e a postura cautelosa dos agentes do setor.
Em suma, o ciclo 2025/26 ficará marcado como um período de transição desafiador, onde a oferta limitada ditou o ritmo das trocas comerciais, reafirmando a importância da recomposição dos estoques para garantir a estabilidade do fluxo exportador brasileiro diante das incertezas produtivas. Clique aqui e acompanhe o agro.
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